C’es la vie

A cidade francesa de Paris mais uma vez é alvo de ataques terroristas. O que infelizmente não podemos dizer ser nenhuma novidade. A novidade maior nesse caso talvez seja a forma organizada que foi realizado. Os ataques aconteceram de forma ordenada em um shopping, em um estádio, um bar, uma casa de shows e um restaurante.

Esses ataques mostram a real intenção dos terroristas em fazer alvo pessoas comuns, vivendo em seu dia a dia, que de alguma forma ainda tinha uma rotina tranquila, mesmo que saibamos que a cidade não vivia de forma alguma uma vida tranquila desde o ataque ao jornal Charlie Hedbo.

Um dia antes houve uma ameaça de bomba no hotel em que a seleção de futebol alemã estava hospedada, um hotel onde a seleção brasileira esteve da última vez que passou pela cidade, o que já deixava claro que algo estava por vir.

Oficialmente, os números surpreendem pelo montante de mortos – acima de 120 pessoas, mas me causa ainda mais espanto que já temos outros 99 feridos, alguns mais graves e outros nem tanto. Infelizmente dois desses eram brasileiros, que estavam no restaurante, e com certeza nunca poderiam imaginar que um simples jantar poderia ser interrompido de forma tão abrupta.

O Estado Islâmico já reivindicou a autoria dos atentados para si, mas não temos como aber se essa foi uma forma de mostrar uma rápida resposta ao ataque sofrido pelos bombardeiros americanos no Iraque, o qual matou pelo menos três de seus principais assassinos, incluindo aí um britânico conhecido como Jihad John, ou se foi uma infeliz coincidência ter a data da sexta-feira, dia 13 de novembro de 2015, como momento escolhido pelos terroristas.

O fato é que esse grupo islâmico em questão está mostrando que tem força muito além das fronteiras da Síria e Iraque. A Rússia já sentiu isso com a morte de mais de 500 russos na explosão de um avião no Egito há poucas semanas, onde tudo indica que foi uma bomba no compartimento de carga que causou tal “acidente”. Agora é a vez da França que está em solo iraquiano ajudando as tropas locais e os americanos a combater o EI por lá.

O ataque mais recente até então, como dito, foi ao jornal Charlie Hedbo, em um momento de resposta direta ao que eles estavam escrevendo e usando de seu humor para atacar determinados setores do islamismo, mas esse agora abriu um espaço muito maior, até porque os ataques são diretamente voltados para a população comum.

Um restaurante, um bar e um shopping demonstram não ter um perfil exato de alvo a ser traçado, mas sim um resultado mais sangrento possível, afetando assim a população em geral parisiense. O ataque a casa de shows Bataclan deixou claro, até mesmo pelo comunicado que o EI fez após os ataques, que eles queriam atacar os jovens que estavam no local cultuando um estilo de música permissiva pela visão deles. No local tocava a banda Eagles Of Death Metal, de Rock’n’Metal. Uma resposta bem clara ao tipo de pessoas que eles querem afetar também.

O EI não está medindo esforços para mostrar que quem não pensa como eles é um inimigo em potencial. Assim sendo qualquer país poderá ser alvo em qualquer momento, porque onde não houver um movimento islamista ativo, com certeza é um alvo potencial de ataque deles.

A questão agora é saber se os terroristas, que atacaram a cidade de Paris ontem, são franceses convertidos e que sofreram a lavagem cerebral do grupo ou se são terroristas que se utilizaram de possibilidades de entrar em algum país europeu no fluxo dos refugiados que tem vindo da Síria, Afeganistão e outros países em guerra.

Vale lembrar também que há poucos dias, dentro da Alemanha, centros de refugiados foram atacados por alemães que não estão aceitando com bons olhos esse mar de refugiados em seu país, com certeza o país poderá ser alvo muito em breve de algo do tipo também. Na Europa, na verdade, todos os países são alvos em potenciais por alguma determinada situação.

O EI é um tipo de combatente muito mais complicado para se lutar contra, ele não tem um país como origem, eles tem propostas e visões que seguem de um determinado ideal, são pessoas que nascem em países que normalmente não teriam terroristas, mas que acabam se identificando e tendo a oportunidade de mostrar sua raiva contra o sistema através de ações como essas, talvez por isso essa seja uma guerra nada fácil de se vencer.

A batalha agora é por ideais, é uma guerra mental…o uso das balas só acontece no momento que um ataque vem à tona e isso nem sempre é possível se prever, realmente é praticamente impossível achar a hora exata de um ataque. Nem todos tem uma marca que possa afirmar que este ou aquele é um terrorista.

Lamentamos por vidas inocentes perdidas em Paris, esperamos que os governos de todo o mundo consigam se organizar para que não aconteçam mais fatos como estes ocorridos na cidade como ontem, mas é certo de que vivemos em um momento do mundo, onde qualquer cidade é um alvo em potencial.

Infelizmente não são as palavras de fé que poderão salvar esta ou aquela vida, porque são as mesmas palavras que fazem com que cheguemos a este ponto. Todas as crenças tem seus extremistas e o que é preciso agora é colocar a visão política, social e econômica à frente da religiosa para poder achar o ponto de equilíbrio deste mundo em que vivemos, já que a religião está a cada dia mais tirando o centro de todos nós.

PROMO

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